
Shrek para sempre – o último filme da saga – finaliza a carreira de sucesso produzida pelos estúdios da DreamWorks. As animações anteriores protagonizadas pelo ogro conquistaram o público e a crítica, e esta promete não decepcionar os seus fãs.
No filme, depois de ser enganado pelo duende Rumplestiltskin, Shrek se depara com uma reviravolta no reino Tão Tão Distante: o seu grande amor (Fiona) vira uma criminosa; o Gato de botas fica sedentário e gordo; o Burro vira intelectual e o grande detalhe de tudo isso é que ninguém mais conhece Shrek, é como se todas as outras aventuras nunca tivessem acontecido. A missão do ogro será reconquistar a amizade e o amor que ele perdeu.
A grande novidade é que a animação foi totalmente produzida em 3D. No Brasil, a estreia será no dia 9 de julho desse ano.
A expectativa é de que a série de filmes continue agradando diversos públicos: as crianças por conta do jeito caricato dos personagens e os adultos através das paródias e sátiras da atualidade.
Veja o trailer do filme Shrek para sempre:
Animações para adultos
Algumas produções conseguem atingir um público variado, assim como, o filme Shrek. As animações perderam a característica de meros desenhos elaborados somente para deslumbrar e entreter o público infantil, muitas vezes, assumindo um caráter mais maduro.
“Ainda que a Disney, e demais estúdios, produzam suas animações mirando sempre em um público familiar (expandindo as chances de boa bilheteria), foi a partir dos anos 90 que aumentou a preocupação em produzir entretenimento adulto”, reflete Celbi Pegoraro.
Os longas-metragens animados feitos pensando nos adultos são prova que esse tipo de formato pode agradar diversos públicos a partir de linguagens e contextos diferenciados. Outros exemplos são: Coraline e a Porta Secreta e La Nuit des Enfants Róis (ainda sem tradução para o português), que estreia ainda em 2010.
Coraline e a Porta Secreta revela a aventura de uma menina que descobre uma porta que pode levá-la para um universo paralelo parecido com o mundo real, só que aos poucos ela começa a passar por uma experiência perigosa, e os seus novos pais decidem prendê-la na nova realidade. Assim, a menina tenta fugir, voltar para sua verdadeira casa e salvar a sua própria família.
“Existem diversas séries de animações dirigidas para os adultos e que são mais ‘adultas’ que séries feitas com seres humanos. A internet é um espaço onde encontramos autores fazendo loucuras que nunca poderiam ser vistas por crianças”, diz o diretor Carlos Eduardo Nogueira.
Se depender dessas animações de prender o fôlego e a atenção de qualquer um, os “maiores de idade” também têm espaço garantido no cinema. Além de serem produzidas pensando em pequenos detalhes para uma recepção mais exigente, há um grande cuidado com a reflexão crítica da sociedade.
Animação para crianças
As relações das crianças com o cinema de animação têm aberto discussões sobre como desenvolver uma linguagem educativa e que ao mesmo tempo seja divertida. Abre-se então o debate sobre o desafio de se fazer cinema para esses pequenos espectadores.
Para o jornalista e pesquisador de animação, Celbi Pegoraro, os desenhos causam impacto nas crianças. “Em sua fase áurea, a animação – até meados dos anos 1950– não era produzida tendo em mente especificamente as crianças. Tanto que se formos observar os filmes teremos, por muitas vezes, situações de horror (caso dos filmes Disney entre 1937 e 1940) e de violência (que é possível ver
As animações dos estúdios Disney têm tradição em reproduzir e adaptar, contos ou livros, como Branca de Neve e os Sete Anões ou A Bela e a Fera. Suas narrativas se mostravam inofensivas, pautadas pelo melodrama que a partir de 1940 propõe organização mais simples do mundo, com a utilização pontual de imagem e som para agregar os valores à produção.
“Esse rótulo de ‘animação é para criança’ surgiu com a popularização da televisão entre os anos 50 e 60, era necessário produzir muito mais conteúdo para a televisão, e a animação se tornou a babá eletrônica”, diz Pegoraro.
Os desenhos clássicos como o Rei Leão – primeiro desenho sem adaptação literária – ou Cinderela criam um mundo de magia e encantamento, e são voltados quase que exclusivamente para crianças, uma vez que o indivíduo compreende em seu contexto do bem e do mal, e quando consegue adequar signo e significante, a obra entra na imaginação e no acaloramento infantil.
O organizador do festival de animação MUMIA, Sávio Leite, observa que existem duas produções, uma voltada para o público adulto e outra mais para o infantil. “Um filme do gênero que consiga unir esses dois mundos, não tem nada de errado. O importante é usar da linguagem do cinema de animação para atingir seus objetivos”, afirma Leite.

A família vai ao cinema
A animação para a Pixar criadora de Toy Story – e também para a Disney – busca um apelo infantil e adulto, que agrada a toda a família. O estilo procura um senso estético e narrativo que procura ser aclamado por toda família.
“A animação é uma arte completamente livre de amarras e sem limites para a imaginação onde se pode tratar de vários assuntos de uma maneira lúdica”, diz Leite.
A animação perde cada vez mais seu lado infantil e ganha um público mais diverso que retrata cada vez mais conflitos da realidade social e não somente da fantasia.
Segundo Sávio Leite, independente do perfil do expectador, o importante é utilizar a linguagem cinematográfica para atingir os objetivos estabelecidos. “Não digo que as animações mudaram de público, pois sempre o público infantil gostará de animação, encherá as salas e se divertirá. Mas a animação agora está atingindo todos os públicos”, afirma Leite.

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